Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Valoração da H2O

 

Quando entramos ao banheiro nossa PRE-O-CU-PA-ÇÃO prende-se em levarmos a “tira colo” logo nossa toalha, sabonete, “xampu”, condicionador, pente, desodorante, barbeador. Isto é, o banheiro (e principalmente a água) fica como locus de “limpeza” (a retirada) do nosso stress, de nossas frustrações e enleios diários. Talvez você que esteja lendo ainda não tenha compreendido nossa enveredada argumentativa sobre esse texto. Mas lhes peço que se atente para título desse ensaio, pois pularemos esse raciocínio, para voltarmos em seguida, já que falaremos em seguida sobre essa substância química na região de Belém.
Belém encontra-se localizada na Região (Bacia) Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, bacia na qual perfaz por uma área de 967.059 km² (e que 11% do território nacional) e abrange os estados de Goiás (26,8%), Tocantins (34,2%), Pará (20,8%), Maranhão (3,8%), Mato Grosso (14,3%) e o Distrito Federal (0,1%) (www.ana.gov.br/sprtew/1/1-ANA.swf)
Belém, além disso, possui e localiza-se geograficamente dizendo na Amazônia, mais precisamente na Amazônia Oriental, e que tem pluviosidade anual em torno de 2800 mm a 3000 mm, está rodeado pela Baia do Guajará e pelo Rio Guamá. Sendo que este o Rio constitui o principal alicerce que assiste no período chuvoso o abastecimento de água potável (para Belém e Ananindeua). Mesmo assim, Belém vive uma crise de GESTÃO (além de crise Civilizatória, que falaremos no feche desse texto). É isso mesmo é crise de gestão, pois desses fatores supracitados, de grande quantidade pluviométrica, rios, como também de possuir um dos maiores aqüíferos da América do Sul (que se quer foi utilizado), Belém sofre problemas sérios de abastecimento.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a capital Paraense apresenta um péssimo sistema de distribuição de água e esgoto para atender uma demanda tão vultosa, por isso que a ANA coloca Belém numa conjuntura muito crítica (40%).
Essa Crise “eclodiu/implodiu/explodiu” no mês de junho por causa da explosão do transformador na Estação de Tratamento de Água no lago Bolonha e Água Preta da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará), na qual deixou boa parte dos moradores (500 mil residências) de pelo menos oito bairros (Umarizal, Fátima, São Brás, Terra Firme, Sacramenta, Marco, Jurunas e Pedreira) de Belém e nove de Ananindeua 48 horas sem água.
O incidente expôs o sucateamento da rede de abastecimento e a ingerência Hídrica por parte do Estado, pois o sistema precisa duplicar a captação direta do rio Guamá, devido o aumento da demanda, dobrar a capacidade da Estação de Tratamento de Água Bolonha e ampliar a rede de distribuição, já que hoje com 2 mil quilômetros de metros de tubulação, e com quase 300 quilômetros, apresenta na mesma proporcionalidade de magnitude canos obsoletos e em estado precário (com 23 anos de funcionamento - o mesmo tempo da implantação da estação - o aparelho alcançaria o fim da vida útil em sete anos)  (In: www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp).
Outro “efeito e causa” no sentido Morianiano (MORIN, 2002), provocado pela essa falta de água em Belém foi ou pelo menos espero que seja alguns ensinamentos sob valoração da H2O, pois o que se via, por exemplo, em Belém nesse período de falta de água, eram: repartições públicas, escolas, lojas, Universidades fechadas, e um “fenômeno” nunca visto, pessoas carregando baldes ou comprando garrafões de água mineral. Isso me fez lembrar de um vídeo da Carta Terra, sob o cenário vindouro da falta de água.
E uma coisa extremamente interessante durante essa falta de água Belém, foi os contrastes, as quais durante nosso percurso do Bairro Jurunas ao Bairro do Guamá, na qual fica Universidade Federal do Pará (UFPA) onde fomos, e depois do nosso retorno passando pelo Bairro da Batista Campos, vimos pessoas agoniadas, desesperadas e stressadas por obter água, enquanto o Schopeing Center Pátio Belém enchia uma mini piscina que tinha entorno 5000L para crianças brincarem. Mas o que nos deixou estupefatos foi       em prédios de alto e médio luxo, encheram as piscinas para as crianças brincarem, e as pessoas passavam olhando para dentro dos prédios.  
Nessas visualizações dessa problemática socioambiental ocorrida, foi que a sociedade perpassa por uma crise Civilizatória, isto é, uma Crise Ontológica e Epistemológica (LEFF, 2008), encabeçada e conduzida pelo sistema capitalista e pela globalização/industrialização/urbanização, na qual segundo Grün (2007, p.47) fala que
 
O “eu” é quase sempre visto como um cenário de tecnologias e os “recursos” são vistos como aquelas capaz de sustentação a esta tecnologia. O recursos são o carvão, o óleo, etc.. Neste nível, podemos constatar que o que determina se um habitat tem ou não valor é a tecnologia.
 
 
E continuando o pensamento realizado acima, Guattalari citado por Petraglia (2008), aduz que necessário que se promova uma articulação ético-política de três ecologias (a ecosofia):
 
ecologia mental, que diz respeito às relações do indivíduo consigo mesmo; ecologia social, relativa às relações dos seres humanos e sociedades entre si e ecologia ambiental, que supõe as relações dos seres humanos com o ambiente e o planeta.
Morin (2005) compartilha dessa idéia ao propor uma religação ética, que congrega auto-ética – a ética antes de tudo individual e para si, que desemboca ao mesmo tempo numa ética para o outro; sócio-ética – da comunidade que a precede, a engloba e a transcende e; antropoética – a maneira ética da espécie assumir seu destino humano no planeta.
Uma ética complexa pressupõe a compreensão de si e do outro e a consciência planetária e solidária, que propicia o desenvolvimento de um sujeito cidadão democrático, criativo e inserido em seu universo cultural. O sentimento de pertença e de ter uma identidade terrena deve ser equivalente ao de fazer parte da Terra-Pátria, mas também participar de uma sociedade e de uma cultura.
Essa perspectiva sugere uma nova política de civilização, a ser introduzida nas ciências humanas, naturais, da saúde, exatas e sociais (PETRAGLIA, 2008, p.38-9). [E que não se atenha e se feche no desenvolvimento exclusivo do Educador(a) enquanto profissional da Ciência Química, e sobretudo busque a concepção trinitária do ser humano, que inclui espécie – homo sapiens; sociedade – ser social; e indivíduo – sujeito complexo, inclinado a criar permanentemente prospecções e formulações de conhecimento(-sabedoria) capazes de uma densa, plural, autocrítica e emancipatória].
 
E aqui falaremos e finalizamos que é necessário uma valorozação da água e dos recursos naturais, uma reapropriação e reinserção da natureza como componente e natureza ao mesmo tempo.
 
REFERÊNCIAS
 
GRÜN, Mauro. Ética e Educação Ambiental: Uma Conexão Necessária. Campinas: Papirus, 2007.
 
LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade e poder. Petrópolis: Vozes, 2008.
 
MORIN, Edgar. Repensar a Reforma, Reformar o Pensamento: A Cabeça Bem Feita. Tradução de Ana Paula de Viveiros. Lisboa: Instituto Piaget, 2002.
 
PETRAGLIA, Izabel Cristina. Educação complexa para uma nova política de civilização. Revista Educar em Revista, Curitiba, n. 32, p. 29-41, 2008.
publicado por jondisonrodrigues às 17:39

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