Sábado, 5 de Setembro de 2009

IMERSÃO NO ÂMBITO “ÉTICO” PARA FORMAÇÃO DE EDUCADORES(AS) EM QUÍMICA

 

Andrade (2002, p. xxv) afirma que: “interpretação, compreensão e conhecimento somam-se em sistema em que se integra responsabilidade ÉTICA, inteligência emotiva e lucidez ideológica” (negrito e letra maiúscula nosso).
Com relação ao que autor diz tanto a formação do educador(a) (em química), quanto a apropriação de conhecimento e saberes segundo Freire (1996) não poderiam dar-se alheio à formação ética e moral do educando OU como diz Einstein (Apud RAMOS, 2000, s. p.) “é necessário que o estudante adquira uma compreensão dos valores éticos um sentimento daquilo que vale a pena ser vivido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto”, até porque a questão da ética constituiria um eixo central das definições políticas, por meio de construções coletivas dos educadores(as)/educandos(as), na dinâmica entre as práticas pedagógicas e as concepções teóricas-práticas, pois viriam da cultura, de modo que seriam engendrados do passado, e que depois se tomou sentido social mais amplo, e se consolidaria pela (re)elaboração do passado através da mudança de costumes, hábitos, condutas e regras, trans(o)corrido nas relações concretas (LASTÓRIA, 2003).
Mas afinal o que ética? E o que é moral, é o mesmo que ética?
Segundo Valls (2006) a ética é daquelas coisas que todo mundo sabe que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta.
Antes de se falar o que é ética, vamos fazer primeiro uma viagem à história para saber que eram os pressupostos, isto é, o ideal ético na Idade antiga, Média, Moderna.
 Durante a Idade antiga, Valls (2006) fala que:
 
Entre os gregos antigos, a discussão sobre o mundo e a harmonia cósmica produziu doutrinas práticas, que procuram orientar a ação dos indivíduos para uma vida voltada para o bem, a virtude e a harmonia com a natureza não era uma questão exclusivamente ecológica, mas também moral, isto é, eles consideram que devia haver uma lei moral no mundo, que permitisse ao homem viver e se realizar como homem, isto é, de acordo com a sua natureza. A lei moral seria então um aspecto da lei natural (p.35).
 
 
 Na Idade Média em termos éticos e/ou morais tiveram um desdobramento e conseqüência profunda, devido domínio do pensamento e do espírito realizada pela igreja católica, porque a mesma fomentou que o homem se perguntasse:Como devemos agir, uma vez que a natureza não conseguia satisfaz nossas perguntas, então a igreja católica passou a influenciar as pessoas, como deveriam agir, fazendo tomar uma posição que
 
[...] manda agir de acordo com a vontade do Deus pessoal. Para que isto seja praticamente viável, torna-se necessário conhecer a vontade deste Deus pessoal, e a filosofia sente a necessidade de uma ajuda fundamental fora dela: os homens procuram a revelação de Deus. A revelação de Deus não é uma exposição teórica, mas é toda ela toda voltada para a educação e o aperfeiçoamento do homem. O homem busca ser santo, como Deus no céu é santo [...] (VALLS, 2006, p.36).
 
 
Durante a Idade média o lema era conhece a ti mesmo o Deus que está dentro de você, uma alusão ao lema da Idade Antiga: conhece a ti mesmo-, lema este que não era teórico, mas prático de Sócrates, pois não se buscava um conhecimento puro e sim sabedoria de vida, (como estudo filosófico do mundo).
 
Na Idade Moderna, que coincide com os últimos quatro ou cinco séculos, apresentam-se então duas tendências: a busca de uma ética laica, racional (apenas), muitas vezes baseada numa lei natural ou numa estrutura (transcendental) da subjetividade humana, que se supõe comum a todos os homens, e, por outro lado, novas formas de síntese entre o pensamento ético-filosófico e a doutrina da revelação (especialmente a cristã) (VALLS, 2006, p. 38).
 
 
Já no século XX, isto é, a Idade Contemporânea, surgiu/surgiram os pensadores da existência, que tinham
 
[...] posições muito diversas, insistiram todos sobre a liberdade como ideal, em termos que privilegiam o aspecto pessoal ou personalista da ética: autenticidade, opção, resoluteza, cuidado, etc.[...] Já o pensamento social e dialético buscou como ideal ético, na mediada em que aqui ainda se usa esta expressão, a idéia de uma vida social mais justa, com superação das injustiças econômicas mais gritantes. A ética se volta sobre as relações sociais, em primeiro lugar, esquece o céu e se preocupa com a terra, procurando, de alguma maneira, apressar a construção de um mundo mais humano, onde se acentua tradicionalmente o aspecto de uma justiça econômica, embora esta não seja a única característica deste paraíso buscado [...]. [...] A reflexão ético-social do século XX trouxe, além disso, uma outra observação importante: na massificação atual, a maioria hoje talvez já não se comporte mais eticamente, pois não vive imoral, mas amoralmente [...] (VALLS, 2006, p. 46-47).
 
 
Até agora falamos muito o ideal de ética, mas o que significa realmente Ética? E o que significa moral, é a mesma coisa que ética?
 Segundo Rios (2004) Ética: é o “espaço de reflexão filosófica que se define com a reflexão crítica, sistemática, sobre a presença dos valores na ação humana” (p.19) e “vem reflexão sobre a moralidade, sobre a dimensão do comportamento do homem” (p 23). A ética procuraria o fundamento do valor que norteia o comportamento, partindo da historicidade presente nos valores, através de juízos críticos sobre a ação humana social. Já para Valls (2006) ética passaria a ser considerado também o estudo das ações ou costumes, como também pode será própria realização de um tipo de comportamento.
Já “Moral é um conjunto de normas e regras destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social dada” (VÁZQUEZ Apud RIOS, 2004, p. 22), essa passaria a ser determinada na sociedade, para indicar o comportamento que deveria ser considerado bom ou mau.
Segundo Goergen (2005) embora seja sempre uma aventura arriscada enveredar pelo campo da ética e da moral, é uma aventura dia a dia mais urgente e necessária. É arriscada, pois ética para uma determinada cultura indígena pode ser totalmente coerente, de fazer a eugenia, de crianças que nascesse com determinada deficiência e limitação física, já para maioria das pessoas pode ser considerada “monstruosa”, anti-ética. Por isso a busca incessante de novas formas de saberes e pensamentos de conduta humana tornaram-se preocupação constante de Filósofos, Psicólogos, Sociólogos, Antropólogos, Economistas e Pedagogos. Hoje, esta preocupação espraia-se por todas as áreas do saber incluindo a Comunicação, a Genética, a Biologia, a Medicina, a Química e as demais Ciências. Podemos dizer que a preocupação ética tornou-se universal e está presente em todos os âmbitos da vida humana.
Ainda em relação a isso Lastória (2003) diz que à consciência realizada pela ética seria uma possibilidade para conter o processo de barbarização social em curso, como as neoAuschwitz, o aborto, a eutanásia, a manipulação genética, a clonagem, as agressões ao meio ambiente, a escravidão do século XXI, visto no Brasil e, sobretudo no Estado do Pará, o abandono de bebês por mães, homicídios ocorridos tendo como mandante os próprios filhos, o atual quadro disseminado de roubo aos cofres públicos pelo poder executivo, judiciário e legislativo e que absolutamente ninguém é condenado e enquanto pais são condenadas por furtar um pedaço de pão para dar de comer aos seus filhos, quando segundo a constituição é dever do estado garantir o bem-estar social da população.
Mesmo assim, como diz Cortina (Apud GOERGEN, 2005, 984) “embora a ética esteja na moda e todo mundo fale dela, ninguém chega realmente a acreditar que ela seja importante, e mesmo essencial para viver. Há uma curiosa ambigüidade entre o discurso ético que se dissemina e ocupa todos os espaços e a efetiva importância que se dá à ética no campo prático”.
Segundo o mesmo autor a ética teria um fim de Ética provisória, que só seria usada quando atingisse a individualidade de cada um.
Será que há uma ética provisória na Formação de educadores(as) em química? O que seria anti-ético dos formadores?
Ao pretender lançar um olhar claro, fundo e largo sobre a formação educadores(as) em Química será preciso uma reflexão partir da situação, do contexto social que envolve essa educação e essa formação hoje dos profissionais da educação em Química, pois segundo Rios (2004) é esse contexto que a caracteriza, que lhe confere especificidade de competência na formação de práxis educativa, para que clareiem as questões e os problemas, com finalidade de descobrir e enfatizar a perspectiva ética de competência, para ajudar a desvelar certos elementos constituintes da ideologia que permeia a educação e, assim vislumbrar a partir da prática pedagógica que praticam os(as) educadores(as), criarem/apontarem perspectivas para a educação que se estaria fazendo.
Segundo Kierkegaard (Apud GOERGEN, 2005) a educação ética só poderia realizar-se como a indicação de uma 'capacidade', cuja realização só seria possível a partir de se encontrar a necessidade, os desejos utópicas cada educando, pois o desejo indicaria a presença da liberdade associada a necessidade, assim atingiria uma liberdade que seria “plena” (DI GIORGI Apud RIOS, 2004).
Ainda em relação a isso Rios (2004) aduz que a necessidade, viria concretamente da ensinar, explicar, interpretar e mudar aquele determinado contexto sócio-econômico em que se vive, em que se pratica e em que se utiliza, logo este seria o primeiro motor do(a) educador(a).
Com esse pensamento, será possível entender e compreender que hoje a formações de educadores(as) não estão sendo éticas, ou mais precisamente os formadores em química da UFPA, visto que enquanto o mundo está se acabando: ambientalmente, de valoração, fraternalmente, de frieza interpessoal, de discriminação, os docentes de química insistem que os futuros educadores fiquem vários semestres, aprendendo sobre teoria de bandas, blindagem, efeito íon comum, o ponto de viragem, a energia entre o carbono e o hidrogênio, do etano.
A uma grande exclamação muito feita pelos discentes é: nós não vamos utilizar isso na nossa carreira profissional. Com esse pensamento dos discentes, há de se criar indagações sobre a práxis contextual da formação inicial hoje, isto é, a educação não seria para “atender às necessidades do educando, visando a formá-lo como um cidadão consciente e capaz de lutar por um lugar nesse mundo globalizado e exigente” (CARDOSO, 2002, p. 212), como enfatiza a LDB, os PCN, o PPPCLQ da UFPA.
Realmente são indagações pouco realizadas pelos docentes, pois se preocupam muito mais em BRIGAR por orientandos, principalmente na Pós-graduação, devido os docentes receberem muito mais-, em dinheiro e como também o aumento de seus egos de quantos orientandos já tiveram-, situação bem recorrente com na grande maioria dos professores que fazem da Pós-graduação e da graduação. Será que isso são bons exemplos para futuros educadores(as) em química terem profissionais desse gabarito todo.
Conflitos esses altamente prejudiciais na formação inicial, pois esses conflitos dos dois professores talvez tivessem produzido espécie de paralisia a dialética dos discentes (percebidos em alguns pontos de vistas dos estudantes), a partir disso passaram em alguns relatos a considerar a crítica e discussão entre os educandos desde as dimensões científicas de química, perpassando por dimensões didáditico-pedagógico e epistemológicas, por exemplo, de um seminário ou aula de um determinado colega, como também um posionamento crítico da postura, da didática do professor como posições anti-éticas, mirando-se na postura dos professores do grupo de físico-química.
Ficam aqui algumas indagações a formação ética do futuro Educador(a) em Química, será que os formadores estão sendo éticos, só mostrando conhecimentos químicos alheio aos saberes da vida e do mundo? Para que(m) é a formação, é para cidadania ou é para ser cientista?, pois como diz  Cardoso (2002, p. 215) “[...] é de extrema relevância podermos saber que tudo o que aí está não é determinado, por isso pode ser reformulado, alterado, bastando para tanto que não nos esqueçamos da nossa responsabilidade e atuemos sinceramente e de espírito aberto em busca da imprescindível mudança [...]”
Tendo a ética como mediadora da mudança de conduta humano-educativa, através da seleção do conteúdo programático que contenha o útil e o inútil de ensinar e aprender Química, para o dimensionamento do conteúdo ao mundo da vida e das necessidades utópicas de fazer e pensar a vida histórico-cultural e econômica do educando e do futuro educador(a) em Química. Enquanto a posição de alguns professores é torcer como dizia reiteradas vezes um discente: ou que eles morram logo ou que a revolução epistemológica comportamental desses novos educadores(as) em Química aconteçam mais rápido possível.    
 
REFERÊNCIAS
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Vol.único. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

 

 
CARDOSO, Celso Aparecido. Formação crítico-reflexiva: a relação teoria e prática. Revista Integração: ensino-pesquisa-extensão, ano VIII, n. 30, ago. 2002.
 
 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
 
GOERGEN, Pedro. Educação e valores no mundo contemporâneo. Revista Educação & Sociedade, v. 26,  n. 92, Campinas, out. 2005.
 
 
LASTÓRIA, Luiz A. Calmon Nabuco. Impasses éticos na educação hoje. Revista Educação & Sociedade, v.24, n. 83,  Campinas,  ago.  2003.
 
 RAMOS, João Batista. Quinze cartas sobre moralidade e ciência. Brasília: Thesaurus, 2000.
 
 RIOS, Terezinha Azeredo. Ética e competência. 14ª ed. São Paulo: Cortez, 2004.
 

 

VALLS, Álvaro L.M. O que é ética. São Paulo: ED. Brasiliense, 2006.
publicado por jondisonrodrigues às 23:13

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