Domingo, 8 de Novembro de 2009

Absurdez e Desigualdades socioambientais no Mundo e no Brasil

Esta visão genérica do ser humano de responsabilização pela degradação ambiental seria de uma total "absurdez", pois colocaria a espécie humana deslocada da história indivudual/coletiva, descontextualizado social e politicamente. Isto é, generalizar o agir do homo sapiens como sendo destrutivo, significa dizer que temos uma "natureza ruim", maniqueísta, ou seja, passa-se a simplificar os/as discursos/ações da espécie como possuindo uma essência ruim, egoísta e destrutiva. Portanto, o planeta não teria salvação enquanto esta espécie existir. No mínimo, tal construção estabelece um problema ético agudo, um paradoxal senso de autodestruição alienada, pois exprimiria o desconhecimento da historicidade humana e suas múltiplas dimensões constitutivas, e a posteiori diluiria a particularidade e singularidade de uma espécie, no caso a nossa, numa natureza abstrata, hipostasiada do movimento concreto da vida e adilalética, logo recaindo em um tipo de formulação reducionista, pois ignoraria que somos seres atropológico-sociais-biológicos, formados por múltiplas mediações sociais; desprezaria o caráter sócio-histórico do ser humano; e facilitaria a culpabilização da humanidade como um todo homogêneo e idealmente concebido e determinado, e não como ser dialético, produzido, reproduzido e partilhado de relações individuais/socientais perenes e complexas.

 
 
2ª)
 

Segundo Brasil[1] (2005, p. 15)

 

20% da população mundial, que habita principalmente os países afluentes do hemisfério norte, consome 80% dos recursos naturais e energia do planeta e produz mais de 80% da poluição e da degradação dos ecossistemas. Enquanto isso, 80% da população mundial, que habita principalmente os países pobres do hemisfério sul, fica com apenas 20% dos recursos naturais. Para reduzir essas disparidades sociais, permitindo aos habitantes dos países do sul atingirem o mesmo padrão de consumo material médio de um habitante do norte, seriam necessários, pelo menos, mais dois planetas Terra.

 
 

Segundo Lazzarini e Gunn[2] (2008) nos últimos 45 anos, a economia global praticamente quintuplicou, o consumo de grãos, carne e água triplicou e o consumo de papel cresceu mais de seis vezes. O uso de combustíveis fósseis aumentou em quatro vezes, assim como o nível de emissões de CO2, principal gás responsável pelo efeito estufa.

Porém, ainda hoje cerca de 2,8 bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia (82% da população da Índia, 65% da população da Indonésia, 55% da população da China, 37% da população da África do Sul e 17% da população do Brasil)4. Enquanto isso, as três pessoas mais ricas do planeta têm mais do que o Produto Interno Bruto dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. Ou ainda, pouco mais de 200 pessoas, detentoras de ativos superiores a US$ 1 bilhão, têm mais do que a renda anual de 45% da população mundial, o equivalente a 2,7 bilhões de pessoas.

Os países ricos, com menos de 20% da população mundial, são responsáveis por cerca de 80% do consumo privado mundial, enquanto os países pobres com cerca de 35% da população mundial representam apenas 2% do total do consumo privado.

O estilo de vida ocidental e seu padrão de consumo estão servindo de modelo para as classes mais ricas da China e Índia, para os países da Europa Oriental e da antiga União Soviética, assim como para as classes média e rica de países emergentes, como México, Venezuela, Brasil, Turquia, Coréia do Sul, Taiwan, Indonésia, Malásia e Tailândia. Estima-se

que esses novos consumidores totalizem cerca de 750 milhões de pessoas, número similar ao dos consumidores dos países ricos.

Se a China consumisse a mesma quantidade per capita de carros e de combustível que os Estados Unidos, seria preciso produzir cerca de 850 milhões de carros e mais do que dobrar a produção mundial de combustível. Essa frota de carros adicional produziria mais CO2 do que o atual sistema de transporte do mundo. Se o consumo per capita de peixe na China fosse o mesmo do que o do Japão, seriam necessárias 100 milhões de toneladas a mais do que se pesca hoje.

Se tivermos a réplica do padrão de consumo dos países ricos, de consumismo exacerbado e enorme nível de desperdício para as populações da América Latina, Ásia e África, calcula-se que precisaríamos dispor de mais dois planetas Terra para atender a essa demanda. Assim como não existem recursos naturais suficientes para oferecer o mesmo padrão de consumo de um americano médio para toda população mundial, o planeta Terra também não é capaz de absorver toda a poluição e degradação que seria gerada por esse aumento de produção e consumo dos padrões atuais.

O consumo é desigual não apenas entre países, como também dentro dos mesmos. No Brasil, enquanto as classes média e rica brasileiras consomem da mesma forma, ou até mais, que o europeu ou o americano; 53 milhões de pessoas são consideradas pobres e 22 milhões podem ser considerados indigentes.

Já segundo Sposati[3] (2008) entre os países que compõem as grandes regiões do mundo, de acordo com a ONU, a concentração de cidadãos que vivem com menos de 1 dólar por dia, em situação de miserabilidade varia em quase 25 vezes. Isto é, a vida na África subsaariana é quase 25 vezes pior, em concentração de miséria, do que nos países em transição do sudeste europeu como Bulgária, Romênia, Sérvia & Montenegro, Bósnia & Herzegovina e Albânia.

O Brasil, por exemplo, é o oitavo país em desigualdade social, e o quinto país mais populoso do mundo. O coeficiente Gini no Brasil é de 0,0547 com base de dados de 2004. Os 10% mais riscos acumulam quase 47% da renda nacional e na Namíbia, o país com o pior coeficiente de desigualdade, os 10% mais ricos retém 64,7% da renda.

               Considerando que o bem estar social supõe um política distributiva e até mesmo, redistributiva, é um desafio sugestivo estabelecer um ranking das nações desenvolvidos pela sua política interna e externa com compromissos distributivos para enfrentar a desigualdade dos povos e entre os povos. Infelizmente este ranking ainda não está sendo aplicado, pois grau de concentração de pessoas que com menos de 1 dólar por dia é alarmante (ver o mapa abaixo)

Em 1990 a distância dos países pela concentração de cidadãoes vivendo com menos de 1 dólas dia era de 111 vezes (África 44,6% e Europa do Sudeste 0,4%), portanto aparentemente teria ocorrido grande alteração, para melhor, em 2004 face a 1990 já que essa diferença baixou para 25 vezes. Todavia, não é isto o que o exame dos dados mostram. estes dados também a velocidade de aumento da miséria (ver tabela abaixo).

De fato, a distância se tornou menor pela piora dos índices dos países do sudeste da Europa, cuja incidência em 1990 era de 0,4% da população vivendo com menos de 1 dólar dia, e que subiu para 1,8% em 2004.

A melhor velocidade atingida para redução à metade das ocorrências nesta primeira etapa das metas do milênio (200/2004) ocorre no leste da Ásia em paises como China, Hong Kong, Macau, República Democrática da Coréia, Coréia e Mongólia. A velocidade da redução alcançada, 1,35% ao ano é porém, de valor menor do que o previsto, cujo ritmo deveria ser de 3,3% ao ano. Reduzir em 15 anos a situação de uma ocorrência perversa em 50% supõe uma redução ano de 3,3%. E há ainda uma projeção muito ruim Sposati (2008) sobre a miséria no mundo até 2015 (ver tabelas abaixo)

Logo a noção de desenvolvimento econômico e social ainda não contém, necessariamente, suas bases fundadas na ética social. Ainda é forte seu entendimento centrado no mercado de consumo: isto é, considera-se como desenvolvido socialmente a quem tem capacidade de consumir. A idéia de social pela identidade com pobreza e miserabilidade não favorece o alargamento do imaginário social para construir a concepção de desenvolvimento social aliada à de exigência de equidade e igualdade humana.

 
3ª)
 

A felicidade e a qualidade de vida têm sido hoje cada vez mais associada e reduzida às conquistas materiais. Isto vem conduzindo um ciclo vicioso, em que o indivíduo trabalha para manter e ostentar um nível de consumo, reduzindo o tempo dedicado ao lazer e a outras atividades e relações sociais ao nível banal de secundarização e negação. E até mesmo o tempo livre e a felicidade se tornam mercadorias que alentam o ciclo consumista. Esse modelo societário de consumo, além de produzir e reproduzir valores de pertencimento a um grupo social SELETO e de posição social; passa ser transformado em um símbolo do SUCESSO.

Junto a essa perspectiva de massificação passo a encarar o dinheiro e os bens materiais como algo terciário, claro que substantivo, mas não protagonista para (sobre)vivência individual/coletiva biológica-social.

É paradoxal dizer que o alento social seja a apropriação de bens materiais, pois o sopro de vida (alma ou essência) estaria na singeleza do esteticamente impalpável, todavia a vã ambição da sociedade de ser grandioso, tornem-na talvez excessivamente excêntrica (irracional) em pedir socorro principalmente, pela sensação gritante de se deixar e obedecer às normas e as regras de convenção social, como fossem norteadores dos amores, nas quais são propagadas pelo modelo capitalista consumista. 

Logo os sentimentos e desejos de prazer, as quais ditas e dissipadas até hoje por Schopenhauer[4]: estariam nas pequenas e pontuais gestos e desejos de “gritar” atenção, compreensão, Amores, carinho, pod[5], [6](palavra de origem oriental, que significa busca de apoio, por isso chamarem de muros de lamentações, onde vai auferir conforto espiritual) e teg[7] (telhado, segurança, proteção): como um abraço, um beijo, um desejo de um bom dia, uma brisa no semblante, um olhar apaixonante, um sorriso de uma criança ao brincar, no compartilhar e no dividir os problemas, as agruras, os limites, as contradições e as dores com as pessoas das quais amamos. ISSO SIM, SERIA O SUCESSO!.

Perpassamos por um período pós-moderno, como já dito: de comportamentos sociais, de paradigmas, pensamentos e idéias contraditórias, uma inversão de valores. Diante disso a renúncia ao ortodóxismo latente, da crisálida, que a sociedade insiste não sair, pelo medo de enfrentar o mundo novo, as experiências, os amores, isto é, se soltar das amarras de matriz social invisível, que se chama consumismo, é algo que já me autoproclamei, pela automização e liberdade cognitiva e afetiva. Ganhos de qualidade de vida, muito mais gloriosos, pois tendeu a estender a sensação de atingir o valor da subjetividade-objetividade, isto é, conhecer os desejos, anseios e utopias das pessoas, de atingir verdadeiramente as e os ensaios de respostas aos mistérios nas traduções das feições humanas, legitimadas no bálsamo pleno nas/das confissões espirituais e materiais compatililharem e interagirem de forma complexa, ambivalente, contraditória e complementar e ao mesmo tempo simétrica e assimétrica, em vida social contínua e descontínua em que para mim seria a categorização sistemática da vida com qualidade de vida, no entanto para outras pessoas passariam a ser simplórias, ridículas e inambiciosas, o respeito para com as culturas seriam substancias para ser e está em bem-estar consigo próprio. Claro com esta adução a qual fiz, não é a apologia ao modelo societário capitalista, mas sim o contrário (combate), pois assim como o consumismo age, de forma invisível, faço minhas revoluções “pontuais”, todos dias.

 
 
4ª)
 
 O norte-americano Sidney Quarrier se propôs a tabular toda a carga de materiais e energia que ele e sua família tinham usado desde o Dia da Terra, em 1970, até a Rio -92 (sem contar os recursos adicionais, como bens e serviços públicos, estradas, hospitais, lojas etc.) para medir a totalidade de consumo típico de uma família de classe média americana. Sidney Quarrier concluiu que a forma como sua família viveu durante aqueles 20 anos é uma das principais causas dos problemas ambientais do mundo e um dos mais difíceis de solucionar. E se perguntou: a Terra pode sobreviver ao impacto de Sidney e sua família? A família Quarrier do futuro pode mudar? (Durning,1992) (BRASIL, 2005, p.16).
 
 

Essas indagações são substanciais e são escopos de minha posição social.

O processo de enfrentar a problemática ambiental e a prática socioambiental seja ela: a ameaça à estabilidade dos seus sistemas sustentáveis-, exaustão de recursos naturais renováveis e não-renováveis, desfiguração do solo, perda de florestas, poluição da água e do ar, perda de biodiversidade, mudanças climáticas, modelos de aprisionamento racionais econômicos ao sistema consumista capitalista, perda da identidade social sujetivista-objetivitas, segregação social sobre a construção de políticas públicas, intolerância para com as diferenças e a fragilização de relações interpessoais, perpassa pela ruptura com esta perspectiva societária e dá-se com estragemas mediações (reformas) densas no espaço da palavra (conceitos), na mente, na ação e na epistemologia desde o locus familiar de ethos nosso: no dialógo, na problematização e no debate sobre consumo verde (na qual faz-se a preferência pela aquisição de produtos e serviços que não agridam o meio ambiente, tanto na produção, quanto na distribuição, no consumo e no descarte final) e o “consumo sustentável” (de combate a patologia compulsiva pela futilização por produtos que nem serão usados), como também o boicote a empresas, que fornecem e vendem produtos fazendo propaganda abusiva e enganosa, processos produtivos poluentes, exploração da mão-de-obra); até da discussão sobre o tempo que as crianças passam por dia assistindo televisão, pois televisão pode ser um veículo de manipulação social, como também pode ser um agente social poésis críticas quando estas estejam acompanhadas por um adulto que busque junto com a mesma fazer explanações que influenciem o desenvolvimento de atitudes e valores que desmarcarem todo o modelo ideológico de estimulo ao consumismo e despolitização social. Outra forma de enfrentar as problemáticas socioambientais atravessa no viés de estar sempre de forma indireta estar engendrarando conflitos cognitivos e afetivos sobre esta temática. Logo essa teria a práxis de construção de Sustenbilidade Socioambiental[8], uma vez que esses conflitos seriam precursores da autoformação crítico-reflexiva das pessoas e da AUTÔNOMIA das pessoas.



[1] BRASIL. CONSUMO SUSTENTÁVEL: Manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ MEC/ IDEC, 2005. 160 p. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/coea/CadernoApresentacao.pdf. Acesso em: 27/06/2008.

 

[2] LAZZARINI, Marilena; GUNN, Lisa. Consumo Sustentável. Disponível em: Acesso em: 03 jul. 2008.

 
 

[3] SPOSATI, Aldaíza. Pobreza e desigualdade no século do desperdício. Disponível em: Acesso em: 03 jul. 2008.

 
 

[4] SCHOPENHAUER, Arthur. Da morte; Metafísica do amor; Do sofrimento do mundo. São Paulo: Martin Claret, 2003.

[5]MINICUCCI, Agostinho. Relações humanas: psicologia nas relações interpessoais. São Paulo: Atlas, 1980, 157p.

[6] Op. cit .
[7] Op. cit

[8] Respeito a diversidade, a busca de justiça social, a promoção de relações produtivas coletivistas, a preservação e a conservação ambiental, o equilíbrio ecossistêmico e o fortalecimento de instituições democráticas.

publicado por jondisonrodrigues às 12:57

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