Domingo, 6 de Setembro de 2009

Informção Ambiental: Suas Limitações

 

Antes de traduzirmos nossa dissensões acerca da categoria “informação” e sua relevância para/na Educação Ambiental (EA), precisaremos discernir explicação de compreensão para assim gerarmos uma matriz conceitual prévia acerca de informação, para podermos a posteriori auxiliar-nos a fazer pontuações congruentesteórico e epistemologicamente para traçar resposta à relevância da informação para EA.
Começamos o nosso raciocínio com um pensamento do Pequeno Príncipe, obra criada por Antonie de Saint-Exupéry, em que diz que as pessoas grandes são decididamente muito bizarras, confundem todas as coisas...Misturam tudo!. Costumamos dizer que isso é uma crise, uma “crise conceitual”, na qual toda palavra passa ser sinônimos da outra, e esquecendo que há singularidades não só estilística, lingüística, mas também epistêmica-conceitual. Enleio este que se faz, por exemplo, de colocar como sinônimos:
 
 
mulher bonita com princesa, entre sentimento com emoção, amor com paixão, romântico com romanesco, idealismo com ideologia, ensino com aprendizagem, professor com educador, ensino com educação, subjetivismo com subjetividade, modernidade com modernismo, abstratismo com complexismo, adoração com veneração.
[...] A distinção desses significados e os significantes seriam relevantíssimos, pois passariam constituir a enunciação, orquestração e evocação de fazer ver e fazer crer, de “confirmar” ou de transformar a visão de mundo e, deste modo à ação sobre o mundo, que tende estabelecer uma ordem gnosiológica, através instrumentos por excelência da integração social: enquanto elemento de conhecimento e de comunicação devido às multifacetadas interpretações de significados das representações, e isso levando a detenção de poder simbólico e cultural (BOURDIEU, 1989) (RODRIGUES, 2007, p. 20).
 
 
Assim feita às ponderações sobre a importância de fazer distinções conceituais, iniciamos lançado algumas perguntas: O que é explicação? O que é compreensão? Compreensão é sinônimo de Explicação? Informação toma base explicação e/ou compreensão? A informação é suficiente para se fazer (tomada de decisões) ações ambientais (e de EA)?. Estas perguntas (e respostas) otimizará e norteará conseqüentemente a responder a indagação produzida pela Professora Marise Condurú: Quantas mais informação, melhor será a tomada de decisão nas ações ambientais?
As três primeiras perguntas responderemos de uma só vez através do apoio conceitual do que diz  Morin (2002. p.90-1), que assim costuma dissertar e distinguir explicação de compreensão:
 
 
A Explicação entende [,por exemplo,] o ser humano como objeto que pode ser conhecido através de meios objetivos: fulano mede 1,73m, pesa 74 Kg, tem um nariz assim, a pele amarelada, nuanças que podem ser obtidas por indicadores morfológicos identitários. A compreensão é outra coisa. Ela visa entender o ser humano não apenas como objeto, mas também como sujeito. Nós conhecemos em quanto sujeito através de um esforço de empatia ou de projeção. Por exemplo, quando alguém chora, compreendemos que ele pode estar sofrendo. Não irmos perguntar o que se passa com ele examinando o grau de salinidade de suas lágrimas. Compreendemos a tristeza de uma criança que chora porque nós mesmos fomos crianças que chorávamos de modo semelhante, compreendemos o que ocorre no Kosovo ou na Chechênia, mas se formos indiferentes não compreenderemos nada.
 
 
Junto à resposta dessas perguntas a noção de informação pauta-se pricipualmente pela categoria explicação, pois nasce da apropriação empírica, pois como aduz Morin (2002), a informação nasce da nossa prática social, da noção física, Dantas (2007) converge com que Morin diz sobre informação, a “informação” refere-se ao dado exterior do sujeito, na qual pode ser armazenada, estocada (banco de dados, livros) e está sob a primazia da objetividade.
Essa objetividade é componente fundamental, uma vez que permite o que Freire (2005) fala de “codificação”, em que é representação da situação existencial, isto é, é a situação desenhada ou fotografada que remete, por abstração ao concreto da realidade existencial e que possibilita a multiplicação de canais simbólicos. 
Depois desta ponderação podemos responder com tranqüilidade a pergunta: A informação é suficiente para se fazer (tomada de decisões) ações ambientais (e EA)?. E conseqüentemente dará acordes para outra pergunta: Quantas mais informação, melhor será a tomada de decisão nas ações ambientais?. É claro que é necessário que toda a prática social e empírica explicativa, em que se basila a informação, em que fora acumulado pela humanidade há milênios. Mas também se faça e venha trabalhar e interagir com o “conhecimento” (refere-se ao resultado de uma experiência pessoal provida de qualidade afetivo-cognitivas e está sob a primazia da subjetividade, ou seja, da apreensão intelectual) e o “saber” (é produzido pelo sujeitos em confronto com outros sujeitos) (DANTAS, 2007). Essa interação geraria o que Freire (2005) fala de “descodificação”, que seria a análise crítica da situação codificada, que implica o exercício de uma prática reflexiva, comprometida, com sentido, com intencionalidade, de unidade, movimento e relação, e conseqüentemente venha mediar e negociaruma transformação e um fomento a capacidade autônoma e emancipatória de falar, questionar, intervir, (re)transformar, (re)elaborar e requalificar e re-historicizar, mas ainda não seria suficiente para tomada (“melhores”) de decisões, pois não é o grande acúmulo de informações que se fará ou se tomará melhor ações ambientais (e de EA). Dialogamos com que dz Guimarães (2008)[1], para se fazer ou tomar atitudes sobre ações ambientais e EA, é necessário pautarmos em um tripé indissociável: no saber (dimensão inclui a informação e o conhecimento), no sentir (dimensão que colocamos como empática) e no pensar refletido e reflexivo permanente (dimensão que se refere de certa forma a práxis dialógica reflexiva da transformação da conjuntura histórico-social).
 
REFERÊNCIAS
DANTAS, Otília Maria Alves de Nóbrega Alberto. As Relações entre os Saberes Pedagógicos do Formador na Formação Docente. Natal, 2007. 144f. Tese (Doutorado em Educação)-Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2007.
 FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 45ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
 
MORIN, Edgar. Educação e Complexidade: Os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2002.
 
RODRIGUES, Jondison Cardoso. “Utopia”, Epistemologia e Formação do(a) Educador(a) em Química:Uma Construção de Multifaces (Perfil) – em Busca de uma Práxis Edificativa “Coerente” na Formação Inicial. Belém, 2007. 103f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Licenciatura em Química) – Instituto de Ciências Exatas e Naturais, Universidade Federal do Pará, Belém, 2007.

 

[1] Esta citação refere-se à palestra ministrada pelo Profº Dr. Mauro Guimarães, durante o I Encontro de Educação Ambiental da UFPA E II Encontro de Educação Ambiental de Belém, realizado em Belém em 2008, em comemoração dos 10 anos do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM).

 

publicado por jondisonrodrigues às 22:46

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