Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

III ENCONTRO LATINOAMERICANO CIÊNCIAS SOCIAIS E BARRAGENS

 

 

1º Carta Circular

 

III ENCONTRO LATINOAMERICANO CIÊNCIAS SOCIAIS E BARRAGENS

III ENCUENTRO LATINOAMERICANO CIENCIAS SOCIALES Y REPRESAS

 

30 de novembro a 03 de dezembro de 2010

Belém, Pará, Brasil

 

     Durante muito tempo, barragens foram tema de encontros de engenheiros. Vistas como eventos essencialmente técnicos, o debate a seu respeito desconhecia as dinâmicas sociais e ambientais deflagradas pelos processos de decisão, planejamento, implantação e operação destes grandes projetos de investimento. Em seguida, tmbém os economistas, sobretudo aqueles dedicados ao planejamento do desenvolvimento regional, debruçaram-se sobre o tema e apostaram que estes grandes empreendimentos, mormente quando associados a complexos mínero-metalúrgicos, poderiam constituir pólos de desenvolvimento que iriam, enfim, levar o progresso às regiões periféricas. Aos poucos, as questões ambientais começaram a ser contempladas, inclusive porque o próprio desempenho técnico-econômico de muitos aproveitamentos hidrelétricos se via ameaçado pela deterioração ecológica dos reservatórios.

    A partir do final dos anos 1970, os deslocamentos compulsórios, a destruição das bases físico-territoriais de que depende a sobrevivência de populações indígenas e comunidades tradicionais, e, sempre é bom lembrar, a resistência das populações atingidas trouxeram as grandes barragens para a pauta dos cientistas sociais. Antropólogos, sociólogos, geógrafos, juristas, planejadores urbanos e regionais, economistas, demógrafos e cientistas políticos, reconheceram nestes grandes projetos um formato particular dos processos de mudança social e de reconfiguração sócio-territorial característicos do capitalismo contemporâneo. Teses de doutorado, dissertações de mestrado, livros, artigos, comunicações em encontros científicos se multiplicam.

     O I Encontro Ciências Sociais e Barragens inaugurou uma nova etapa, voltada para reunir, sistematizar e comparar os resultados de pesquisa. Sediado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR-UFRJ), foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, de 8 a 19 de junho de 2005. O II Encontro Ciências Sociais e Barragens foi realizado na cidade de Salvador, de 19 a 22 de novembro de 2007 e conseguiu ampliar o campo de abrangência do debate e da articulação acadêmica, realizando concomitantemente o I Encuentro Latinoamericano Ciencias Sociales y Represas. Estes eventos evidenciaram a riqueza e a qualidade da produção científica sobre barragens nas Ciências Sociais latino-americanas, além de propiciar uma maior articulação e intercâmbio entre pesquisadores, assim como entre estes e demais agentes envolvidos com a problemática das barragens. No âmbito acadêmico foram dados os primeiros passos para a estruturação de uma “Rede Latinoamericana Ciências Sociais e Barragens”, em torno à qual começam a se reunir a pesquisadores, acadêmicos e não acadêmicos, profissionais e ativistas, de distintas áreas das Ciências Sociais que estudam, trabalham ou se interessam pela problemática.

     O III Encontro Latinoamericano Ciências Sociais e Barragens / III Encuentro LatinoAmericano Ciencias Sociales y Represas, agora unificado na perspetiva abrangente de América Latina, será realizado em Belém, de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2010.

Apresenta-se como continuidade do profícuo diálogo inaugurado no Rio de Janeiro, em 2005, e continuando em Salvador, em 2007.

     A indicação de Belém para a realização do III Encontro Latinoamericano Ciências Sociais e Barragens/III Encuentro Latinoamericano Ciencias Sociales y Represas não é aleatória. Esta opção ressalta a preocupação dos cientistas sociais latinoamericanos com os desafios sociais e ambientais que se colocam para a Amazônia, região para a qual se projetam novos e inúmeras grandes barragens para aproveitamento hidrelétrico nos próximos anos, demarcando profundas mudanças no território, nas sociedades e nos rios da Amazônia, como de par em outras regiões e em países latinoamericanos.

Na oportunidade informamos que estão abertas as inscrições para submissão de trabalhos (resumos) as seguintes Sessões Temáticas:

 

ST1 Planejamento, processos decisórios e estruturas institucionais

Concepção, planejamento, implantação e operacionalização de barragens. Dimensões sociais, políticas e econômicas dos processos decisórios, estruturas organizacionais e estratégicas das empresas. Comunicação Social e Marketing dos projetos. Relação entre escalas nacional e escalas regional e local. A empresa como força política local. Audiências públicas.

 

ST2 Conflitos sociais e organização das populações atingidas

Contexto nacional, regional e/ou local dos conflitos sociais. Origens e formas de expressão dos conflitos. Lideranças, organização e forma de lutas dos atingidos. Estratégias e formas de ação das empresas. Agentes sociais envolvidos no conflito. Padrões de legitimação e representações do conflito entre atingidos, empresas e demais agentes envolvidos. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Apropriação, controle e uso da água e da terra. Lugar e papel de partidos políticos, sindicatos e ONGs de apoio.

 

ST3 Populações indígenas e remanescentes de quilombos

Identidades e conflitos. Apropriação, controle e uso dos territórios. Deslocamentos forçados e seus impactos. Destruição das bases físicas e simbólicas da reprodução social. Lugar e papel da FUNAI. Lugar e papel das organizações indígenas e de ONGs de apoio. O confronto entre tradicionalismo e modernidade como representação de projeto.

 

ST4 Experiências de reassentamento, reparação e compensação.

Diferentes formas de reparação e compensação. Indenização, terra por terra, reassentamento. Carta de Crédito e reassentamento coletivo. Processos de negociação. Organização coletiva reassentamento. Deslocamento compulsório, ruptura e recomposição de laços e redes sociais. Deslocamento e reassentamentos de populações urbanas.

 

ST5 Desenvolvimento Regional

 

Circuitos econômicos locais e regionais antes, durante e após a implantação da barragem. A nova

economia regional e local. Emprego e desemprego. Compensações financeiras e royalties. Os planos diretores e as estratégias de inserção regional/local das empresas.

ST6 Cultura, memória e imaginário

Mudanças e permanências no processo de implantação e operacionalização da barragem. Representações sociais da água e do território. Identidade Coletiva. Paisagem e memória. O “patrimônio cultural” institucionalmente reconhecido e as memórias e representações coletivas. Religiosidade, identidade e resistência.

 

ST7 - Impactos territoriais e ambientais

Impactos sociais e ambientais de barragens. Avaliação de impactos: IEAs e RIMAs. Minimização e compensação das perdas. Conflitos e negociação na avaliação dos impactos e nos estabelecimentos de compensações. A construção social do meio ambiente e dos impactos ambientais. Distribuição de custos e benefícios do projeto.

 

ST8 – Questões fundiárias antes e depois das barragens.

Analisa a estrutura fundiária da área atingida pela barragem, evidenciando as diferentes formas de tratamento dispensadas aos atingidos pelas agências encarregadas da construção e da operação das barragens, revelando os aspectos perversos da política indenizatória; a valorização da terra situada na borda do lago, resultando na expulsão da população não atingida e na concentração da propriedade fundiária no seu entorno.

 

ST 9 - Pequenas barragens e parcerias público- privadas

Analisa as experiências referentes às construções das Pequenas Barragens (PCH) e as práticas e resultados da parceira público privada.

 

ST 10 – Transnacionalização de conflitos por recursos hídricos: examinando barragens, transposiçoes e outras obras.

O tema recobre o campo das intervenções transnacionais sobre novas formas de apropriação dos recursos hídricos e os processos políticos que emergem nesse contexto, considerando as áreas de fronteira política e interações interiores em países latinoamericanos num contexto de globalização. Comunicamos ainda que em breve estará disponível o site oficial do evento contendo as regras e o sistema para submissão de trabalhos assim como outras informações.

 

COMISSÃO CIENTÍFICA

Alfredo Wagner Almeida – (UFPA)

Andréa Zhouri (UFMG)

Antonio Carlos Guimarães (MPEG)

Anthony Oliver Smith (University of Flórida/EUA)

Camilo Dominguez – Universidad de Colômbia

Carlos Vainer (IPPUR/UFRJ)

Edna Castro (NAEA/UFPA)

Franklin Rothman (UFV)

German Palacios (Univerdad Nacional Colômbia)

Guiomar Germani (UFBA)

Hector Scandell – (I. Ambiental - Venezuela)

Henri Acserald – (IPPUR/UFRJ)

Gustavo Lins Ribeiro (UNB)

Ilse Scherer-Warren (UFSC)

Maria Rosa Catullo (Universidade Nacional de La

Plata, Argentina)

Nírvia Ravena (UNAMA – NAEA/UFPA)

Oswaldo Sevá Filho (UNICAMP)

Rodrigo Peixoto (MPEG)

Rosa Acevedo Marin (UNAMAZ)

Sônia Magalhães (NUMA/UFPA

 

COMISSÃO ORGANIZADORA

Edna Castro - NAEA/UFPA

Carlos Vainer - IPPUR/UFRJ

Rosa Acevedo Marin – UNAMAZ-NAEA/UFPA

Sônia Magalhães - NUMA/UFPA

Rodrigo Peixoto – MPEG

Nírvia Ravena - UNAMA/NAEA/-UFPA

Vera Lúcia Gomes - UFPA/ICSA/PPGSS

Joseline Barreto Trindade -UFPA- Campus Marabá

 

 

 

 

publicado por jondisonrodrigues às 18:18

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?

-mais sobre mim

-pesquisar

 

-Novembro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

-Visitas

-arquivos

-links

blogs SAPO

-Visitantes Maps